Heinrich Focke e o Helicóptero Brasileiro

Heinrich Focke (1890-1979) foi um dos pioneiros da aviação na Europa no início do Século XX
Todo e qualquer conhecedor de aeronaves tem conhecimento sobre um dos melhores aviões de caça da Segunda Guerra Mundial, o Focke-Wulf FW-190, projetado pelo Engenheiro Aeronáutico polonês Kurt Waldemar Tank, nas dependências da fábrica Focke-Wulf Flugzeugbau AG, fundada em 1924 por Heinrich Focke.

Heinrich Focke (1890-1979) foi um dos inúmeros pioneiros da aviação na Europa no início do Século XX, e o primeiro fabricante de um helicóptero completamente controlável em 1936, o Focke Wulf Fw-60 em sua outra fábrica, a Focke-Achgelis , empresa aberta em parceria com Gerd Achgelis, aviador alemão e co-autor do projeto. Com o início da Segunda Guerra Mundial, Focke iniciou alguns projetos jamais concluídos, mas foi de sua fábrica que saiu um dos melhores aviões de caça de todos os tempos o Fw-190, cujas variantes foram produzidas mais de 20.000 unidades.

Após o término da Segunda Guerra Mundial e com dificuldades financeiras, tendo sido despojado de suas instalações fabris, Focke ainda em 1945 foi contratado pelos franceses da SNCASE, antecessora da Sud-Aviation para produzir seu projeto Focke-Achgelis Fa-220, um helicóptero desenvolvido ainda na Alemanha sob jugo nazista, que voou primeiramente em 1940 na cidade alemã de Rechlin. Em 1950 Focke trabalhou como projetista em uma industria automotiva no norte da Alemanha.

Em 1952 (Governo de Getúlio Vargas) o CTA – Centro Técnico Aeroespacial (Atual DCTA) em São José dos Campos – SP, contratou Heinrich Focke e alguns membros de sua antiga equipe de projetos. O intuito era desenvolver um convertiplano cujo projeto absorvera enormemente o tempo de Focke durante a Guerra, o Focke-Achgelis Fa-269, que seriam construídos dois protótipos, sendo que um deles seria levado para a Argentina para demonstrações de vendas. 
 O convertiplano foi montado aproveitando partes da fuselagem de Spitfire MK 15. O emperrou pois a Inglaterra se recusou a fornecer o motor Armstrong Siddeley Double Mamba, quando então tiveram que substituir este do projeto original por um Wright 2200 CV, do mesmo utilizado nos Lockheed Constelation. 
Esta adaptação solicitou o redimensionamento da transmissão devido ao aumento de peso, volume e vibração. Neste projeto foram consumidos um total de US$ 8 milhões de dólares, onde foram empregados 40 trabalhadores e feitas 300 decolagens. 
O projeto receberia o nome de CTA Heliconair HC-1. 

Paralelamente Focke desenvolveu um helicóptero leve de dois lugares em 1954, o qual foi batizado de I.P.D. BF-1 Beija-Flor. 
O projeto do BF-1 Beija-Flor não era convencional, contendo soluções novas, fruto da criatividade do Prof. Eng. Heinrich Focke.
O "BF" (Beija-flor), como ficou conhecido entre os técnicos, cujo protótipo fez seu vôo inicial em fevereiro de 1960, apresentava, em comparação aos seus congêneres da época, as vantagens de segurança, facilidade de manejo e simplicidade de construção. Com este vôo, algo de importante era marcado no histórico da aeronáutica brasileira, pois tratava-se do primeiro helicóptero projetado e construído no Brasil, por uma equipe mista de técnicos estrangeiros e brasileiros, pertencentes ao Departamento de Aeronaves (PAR), do recém-criado IPD.

Em 1956 Focke retornou à Alemanha onde desenvolveu o Kolibri a partir da sua experiência e estudos no Brasil. O Kolibri foi projetado e fabricado nas dependências da Bogward, indústria automobilística fundada em 1929 na cidade de Bremen, cidade natal de Heinrich Focke.
Um fato interessante nessa história é a semelhança de acontecimentos com o avião de caça supersônico canadense Avro CF-105 Arrow que teve somente dois protótipos construídos e ambos desmontados, assim como nosso Heliconair HC-1, também esbarrou no problema de fornecimento dos motores.

Com a morte de Getúlio Vargas, seu sucessor, Café Filho, deu continuidade aos investimentos em Ciência e Tecnologia, bem como os presidentes de curtíssimo prazo, até o final do mandato de Juscelino Kubitscheck, em janeiro de 1961. A partir daí, o CTA e IPD entraram no ostracismo até que houvesse o contra-golpe militar de Abril de 1964. Com a exoneração do Marechal-do-Ar Casemiro Montenegro Filho da direção do CTA até janeiro de 1965 pelo Brigadeiro Eduardo Gomes, todos os investimentos e calor das pesquisas se perderam, vindo o CTA a se reeguer somente em 1969 com a criação da Embraer.

Tínhamos aspirações para que a nossa indústria aeronáutica também produzisse aeronaves de asas rotativas com alta qualidade tanto quanto as aeronaves que hoje saem das fábricas de São José dos Campos e Gavião Peixoto, com projetos genuinamente brasileiros. 

Texto: 
Agnaldo Tavares

Fontes: 
DCTA – Departamento de Relações Públicas. http://www.cta.br/hist_ipd.php
Helicopters of The World – Bill Gunston , 1.988

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