Museu da FEB recebe conta de R$ 1,6 milhão do estado

Cobrança é pelo aluguel do espaço, que subiu de R$ 50 para R$ 8,5 mil
O expedicionário Israel Rosenthal era um dentista recém-formado quando embarcou para lutar na Itália Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
No dia 2 de maio de 1945, militares da Força Expedicionária Brasileira (FEB) renderam um grupamento inteiro de nazistas, e encerram assim a sua participação na Segunda Guerra Mundial, após quase dois anos atuando na Itália. Por conta disso, maio é considerado pelos pracinhas como o Mês da Vitória. Porém, em 2015, 70 anos depois do triunfo na Europa, os poucos remanescestes dos 25.334 soldados brasileiros que estiveram nos campos de batalha podem ver sua história desaparecer.

No início do mês o governo do estado cobrou da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB), através da Justiça, uma dívida de pouco mais R$ 1,6 milhão por aluguéis atrasados de um prédio, na Rua das Marrecas, no Centro, onde funciona o museu da instituição. O processo corre na 11ª Vara de Fazenda Pública do Rio e as constas da associação já foram bloqueadas.

Dependendo do veredito do juiz, pode ser que o prédio precise ser devolvido ao governo estadual — porém, o acervo será preservado. A associação informou que “se o pior acontecer”, materiais originais, incluindo relíquias, usados na Itália tanto por brasileiros quanto pelos inimigos nazistas, devem ser doados ao Exército e divididos entre os museus da instituição.

O uniforme do soldado inimigo
Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
Mesmo endereço

Segundo o diretor do conselho da ANVFEB, coronel Hebert Seixas Duarte, o museu funciona no mesmo endereço desde 1966, quando o então governador Negrão de Lima cedeu o espaço ao Clube dos Veteranos da Guerra na Itália, organização embrionária da associação, onde com recursos próprios, levantaram o prédio.


Ainda de acordo com Seixas, que é filho de um pracinha, desde então, todos os governos cobraram uma taxa de ocupação simbólica.

“Sempre tivemos um acordo verbal e pagávamos por mês o equivalente a R$ 50. Entendo que nunca passamos por uma crise tão grande no estado quanto a de agora, mas passaram a nos cobrar mensalmente R$ 8,5 mil. É muito mais do que nossa receita”, comenta o diretor da associação.

Um dos últimos veteranos 

Aos 22 anos de idade, o dentista recém-formado Israel Rosenthal embarcou com a patente de tenente para a Itália. Hoje, aos 94 anos, é um dos últimos veteranos de guerra vivos. “Chega a me dar lágrimas nos olhos. Estou vendo nossa história, a minha também, ir embora.”

O governo do estado informou que o prédio está cedido para a associação, que tem que pagar mensalmente uma taxa de ocupação. E que por 13 anos, a taxa não foi paga ao RioPrevidência, que era dono do imóvel.

Pouco mais de cem dos cerca de 300 associados pagam as mensalidades em dia, o que gera um caixa de R$ 5 mil.


Fonte: O Dia

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