Raridades em exposição

Em São Carlos (SP), o Museu TAM guarda acervo de mais de 100 aeronaves. Parceria busca agora expor o acervo na capital paulista
Hans-Joachim Marseille foi um piloto alemão responsável por abater pelo menos 150 aeronaves durante a Segunda Guerra Mundial, até ele mesmo ser morto em combate, aos 22 anos, em 1942. Apelidado de “A Estrela da África”, ele combatia em caças Messerschmitt Bf 109. Um deles, original, pode ser visto de perto em São Carlos, cidade localizada a 250 km de São Paulo.

Com mais de 100 aeronaves em seu acervo, o Museu TAM conta ainda com outras aeronaves de destaque na Segunda Guerra Mundial, como o inglês Spitfire Mk.IX e o norte-americano P-47 Thunderbolt, utilizado pela Força Aérea Brasileira (FAB). Todos são modelos reais, utilizados durante o conflito.
O acervo vai além dos modelos de guerra. O Savoia-Marchetti SM-55 Jahú, por exemplo, está lá por sua história. Ele é um hidroavião monoplano da década de 1920 que foi escolhido pelo comandante João Ribeiro de Barros para atravessar o Atlântico Sul em 1927. Desde 2002, o Jahú está tombado como patrimônio histórico de São Paulo.

O Lockheed L-049 Constellation é outro avião com uma trajetória curiosa. Essa aeronave, que hoje está estampada com as cores e o logo da Panair, ficou abandonada por 34 anos no Paraguai. Durante esse período, chegou a ter até um restaurante funcionando em seu interior. Ela foi doada à TAM pelo governo paraguaio em 2000 e chegou a São Carlos (SP) desmontada em seis carretas. 

Uma raridade exposta no museu é um Miles M.2H Hawk, da década de 1930. Existem apenas seis aeronaves desse modelo no mundo e a que está em São Carlos é a única ainda capaz de voar. Foi totalmente restaurada e levou mais de quatro anos para ficar pronta. Mais da metade das aeronaves do acervo ainda pode decolar, entre elas o Spitfire, que chegou ao Museu voando. O Corsair em exposição é o mais antigo do mundo e o único da sua versão ainda em condições de voo. 

Cinco aeronaves estão expostas em dioramas, cenários que remetem às situações reais em que as aeronaves operavam. Vegetação, solo e objetos ajudam a compor a atmosfera lúdica. Uma delas é o Cessna 140. A história deste avião foi relatada no livro Diário da Morte – A Tragédia do Cessna 140, de Walter Dias, sobre a morte do piloto Milton Verdi, que fez um pouso forçado em uma clareira da floresta boliviana nos anos 1960. Ele sobreviveu 70 dias no local, mas morreu de sede e fome antes que o socorro chegasse. Durante esse tempo, até o seu último dia, ele escreveu um diário que deu origem ao livro.
Pintado com as cores da TAM, também está em exposição um Bandeirante, avião desenvolvido no então Centro Técnico de Aeronáutica (CTA), atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). A Embraer, hoje terceira maior fabricante de aeronaves no mundo, foi criada para colocar o Bandeirante no mercado. A frota da TAM incluiu onze aeronaves deste modelo entre as décadas de 70 e 90. 

De mudança?
Como o museu não é de fácil acesso a muitos interessados pela distância da região metropolitana, uma proposta começou a ganhar corpo: a transferência para a capital do estado, São Paulo. A ideia seria levar as aeronaves históricas para uma área do Comando da Aeronáutica na região do Campo de Marte, zona norte da cidade, e acrescentar ainda outras raridades da Fundação Santos Dumont, Polícia Militar do Estado de São Paulo e outras instituições ligadas à aviação. 

De acordo com o Comandante do Quarto Comando Aéreo Regional (IV COMAR), Major-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, o projeto está no início e já conta com a participação efetiva do Museu da TAM e da Fundação Santos Dumont, que vão ceder seus acervos. “Nossa ideia é trazer para a maior cidade do país toda a riqueza da aviação brasileira, além de preservar e resgatar a história aeronáutica”, afirmou.
Em janeiro, o IV COMAR reuniu empresários e representantes de instituições públicas e privadas para debater o tema. A reunião contou com a participação do Comandante João Francisco Amaro, Presidente do Museu TAM, que explicou a necessidade de transferência do acervo de mais de noventa aeronaves em exposição em São Carlos. Segundo ele, a mudança para São Paulo aumentaria o número de visitantes, além de ampliar o espaço destinado às aeronaves expostas. Instituições como a Infraero, Polícia Militar, Associação Brasileira de Aviação Geral e Helibras também apoiam a iniciativa.

“É uma grande solução cultural que vai gerar emprego e renda, além de valorizar a região que tem tudo a ver com aviação”, disse o superintendente regional da Infraero, Willer Larry Furtado. Ele lembrou que a área do Campo de Marte foi a primeira infraestrutura aeroportuária de São Paulo, nos anos 20, e hoje abriga mais de 40 hangares, além de sediar o tradicional Aeroclube de São Paulo e o Grupamento de Rádio Patrulha Aérea da Polícia Militar, o Águia.

Museu TAM
Localização: Em São Carlos, a 250 km de São Paulo. Fica no Distrito de Água Vermelha, no km 249,5 da rodovia SP-318, que liga São Carlos a Ribeirão Preto.
Telefone: (16) 3306-2020
Internet: www.museutam.com.br
Horário de funcionamento: de quarta-feira a domingo, das 10h às 16h (entrada autorizada até as 15h)
Ingressos: R$ 25, com meia entrada de R$ 12,50 para estudantes, professores da rede pública de ensino (com documento comprobatório) e idosos de 60 a 65 anos. Idosos a partir de 65 anos e crianças até 6 anos não pagam.


Fonte: Agência da Força Aérea

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