Inquérito é aberto para apurar alta no valor pago pelos caças Gripen NG

36 aeronaves custaram US$ 5,4 bi, US$ 900 milhões a mais que o previsto.
FAB diz que valor subiu por causa de novos pedidos e atualização do contrato.
Gripen é preparado para voo em base da Aeronáutica em Satenas, Suécia (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Gripen é preparado para voo em base da Aeronáutica em Satenas, Suécia (Foto: Tahiane Stochero/G1)
O Ministério Público Federal abriu um inquérito civil para apurar suspeitas de irregularidades na compra de 36 caças Gripen pelo Brasil por US$ 5,4 bilhões. O valor final do contrato, assinado em outubro de 2014, é US$ 900 milhões maior que o previsto na proposta inicial apresentada pela fabricante, a sueca Saab.

A Força Aérea Brasileira (FAB) diz que o valor aumentou porque foram pedidas mudanças nos aviões e houve reajuste dos valores originais do contrato, que estavam em coroas suecas. A moeda se desvalorizou em relação ao dólar desde a proposta inicial. A Aeronáutica diz que ainda não foi notificada oficialmente, mas que irá atender aos pedidos da Procuradoria.O inquérito, conduzido pelo Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal de Brasília, tem prazo de duração de um ano e pode ser objeto de uma ação civil que peça a anulação do contrato e o ressarcimento aos cofres públicos de pagamentos já realizados.
Gripen do Brasil arte VALE ESTE 300 PX (Foto: Arte G1)
Foi pedido que o modelo do caça brasileiro, entregue ao país a partir de 2019, tenha apenas um display panorâmico à frente na tela de controle, chamado de “Wide Display” (WAD), diferentemente do modelo original, que possuí três visores.

Apenas um avião de combate no mundo, o norte-americano F-35 Lightning II, possui uma tela como a exigida pelo Brasil e que será desenvolvida pela empresa AEL Sistemas, do Rio Grande do Sul.

Display é novidade

O display não existe em nenhuma das versões do jato que a companhia sueca desenvolve desde 1980. Pilotos da Força Aérea sueca ouvidos pelo G1 afirmam que não confiam neste tipo de tela, porque podem perder informações.

À AEL, o MPF solicitou cópias de contratos com valores superiores a R$ 1 milhão entre os anos de 2010 e 2015, contratos de pagamentos envolvendo 8 pessoas ligadas à Aeronáutica e também informações sobre a capacidade da AEL de desenvolver o display panorâmico e a parceria com a construtora sueca Saab.

A Saab disse que está ciente da investigação. "É nosso princípio apoiar o sistema legal com respostas, caso haja perguntas. Se obtivermos um pedido oficial do MPF ou de outra autoridade, iremos auxiliar com o que for possível”, afirmou.

Em entrevista ao G1 na Suécia em novembro passado, o CEO e presidente da Saab, Hakan Buskne, alegou que "basicamente [o preço subiu] devido aos pedidos do cliente. Nós oferecemos algo e eles fizeram novos pedidos, como o Wide Area Display [WAD, um display panorâmico]".

Procurada pelo G1, a AEL não se pronunciou até a publicação da reportagem.

A investigação civil tem como finalidade apurar a suspeita de ligação de militares da reserva e da ativa da Aeronáutica com a AEL Sistemas. Além do inquérito civil, tramita correlacionado um procedimento criminal que apura os mesmos fatos.

Documentos são solicitados

O procurador Anselmo Lopes, que investiga o caso, solicitou à Saab, à FAB e à AEL informações e cópias de contratos, troca de e-mails, relatórios e demonstrativos financeiros sobre a transação que envolve a compra do caça Gripen.

O MPF pediu também a cópia de fichas de cadastro da Aeronáutica de seis brigadeiros, entre eles o ex-comandante da Força, brigadeiro Juniti Saito, que deixou o cargo em janeiro.

Um ofício foi enviado à Saab requisitando cópia dos contratos com a FAB e a AEL sobre a compra dos caças com perguntas sobre as razões do reajuste do valor, as exigências feitas pelos militares para os jatos brasileiros e os custos do Wide Display.

O MPF também ouvirá 21 pessoas, entre funcionários e diretores da Saab e da AEL, além de aviadores da FAB envolvidos na transação, para entender o contrato.


Fonte: G1

Comentários

Anônimo disse…
ESSE AUMENTO DE PREÇO DEVE SER INVESTIGADO, MAS DEVO DIZER QUE O BRASIL NÃO DEVIA TER COMPRADO ESSE AVIÃOZINHO AI, MAS SIM O RAFALE QUE TEM MAIS CAPACIDADE DE FOGO, PARA NÃO DEPENDER ETERNAMENTE DOS EUA QUE FORNECEM O MOTOR GE, TEM OUTRO PROBLEMA AI, MELHOR SERIA FALAR FRANCÊS DO QUE SUECO.

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