Infraero aprova licitação para pista do Salgado Filho

Obra vai exigir a remoção, pela prefeitura, de 1,7 mil famílias nos arredores do complexo e de outras desalojadas que retornaram
Foto: Camila Domingues
O Conselho de Administração da Infraero, acatando proposta da diretoria executiva da empresa, aprovou ontem a instauração de processo licitatório para a ampliação em 920 metros (alcançando 3.200 metros) da pista de pousos e decolagens do Aeroporto Internacional Salgado Filho. A decisão inclui as demais obras e serviços técnicos complementares do aeródromo, condicionando a assinatura do contrato à liberação de recursos orçamentários.

A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa da Infraero no final da tarde de ontem. O comunicado destaca ainda que a iniciativa está vinculada também à "emissão da correspondente ordem de serviço aos atos de remoção ou rebaixamento, pelas autoridades competentes, dos obstáculos, atualmente existentes, que impedem a homologação da citada expansão". Dentre essas dificuldades, conforme a Infraero, encontram-se a retirada de todas as famílias da Vila Nazaré, incluindo a desafetação da área, o desvio do trânsito para as vias localizadas a oeste do aeroporto e a desocupação total das famílias ocupantes da Vila Floresta e da Vila Dique. O ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Eliseu Padilha, afirmou ontem, no programa Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, que, hoje, considera necessária a obra de ampliação da pista do Salgado Filho. No entanto, o dirigente enfatizou também que a prefeitura de Porto Alegre precisa remover cerca de 1,7 mil famílias localizadas nos arredores do complexo e desalojar antigos moradores que saíram, mas que, posteriormente, retornaram para a região.

O diretor executivo da Agenda 2020, Ronald Krummenauer, vê como fundamental a ampliação da pista. Entre as principais razões, o dirigente cita a econômica, já que, com as obras, o aeroporto teria uma maior capacidade de transportes de cargas. De acordo com Krummenauer, por não ter sido expandida ainda a estrutura, o Estado deixa de agregar ao seu PIB cerca de R$ 3,5 bilhões ao ano. "Há demandas de Guarulhos e Viracopos (aeroportos paulistas) que poderiam ser absorvidas pelo Salgado Filho", aponta o integrante da Agenda 2020.

Krummenauer destaca que a expansão da pista do Salgado Filho não inviabiliza a construção de um novo complexo na Região Metropolitana da Capital, já que esse segundo projeto levaria anos para ser concluído. Contudo, o dirigente enfatiza que não podem ser desperdiçados os recursos financeiros e os esforços humanos que já foram empregados na questão do Salgado Filho. Além desses fatores, Krummenauer frisa a melhoria da segurança da operação. Recentemente, uma aeronave da Azul, que fazia o trajeto de Minas Gerais a Porto Alegre, devido a dificuldades técnicas, teve que pousar na Base Aérea de Canoas em vez de pousar no aeroporto da Capital gaúcha, pois aquela estrutura é maior do que essa. O presidente da Fiergs, Heitor José Müller, também defende a melhoria do aeroporto de Porto Alegre. "Um novo aeroporto leva tempo e passa por um processo de licenciamento ambiental", salienta o dirigente. Müller calcula que o Salgado Filho terá que manter obrigatoriamente as suas operações por, pelo menos, mais 15 anos.


Fonte: Jornal do Comércio (RS)

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