Apresentação do Anuário Brasileiro de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo 2014

"Quando não se tem especialistas trabalhando no chão, nenhum piloto consegue voar seu avião!" E isso é bem verdade e uma realidade absoluta para a aviação comercial que opera no Brasil e no mundo todo.

Por: Yamandu Wanders



Na manhã do dia 22 de julho, a Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo (ABESATA) lançou no hotel Pullman, em São Paulo, o 1º Anuário Brasileiro de Serviços Auxiliares do Transporte Aéreo. 

O levantamento, que tem como principal objetivo mostrar a importância do segmento, conhecido também como ground handling, e ser um instrumento de apoio à tomada de decisões pelas empresas e autoridades de aviação, aborda desde o conceito da ABESATA, que foi lançada no mercado em outubro do ano passado, e sua estrutura até os serviços prestados por suas associadas, um mapeamento das empresas especializadas, os impactos dos serviços auxiliares na economia e as operações em cada aeroporto brasileiro. Além disso, a publicação apresenta levantamento detalhado dos principais aeroportos do País em termos de movimentação, tanto da aviação comercial quanto da aviação geral.


Quem apresentou a novidade à imprensa foi o presidente da ABESATA, Ricardo Miguel, que explicou que, para lançar o produto, foram analisados 1,95 milhões de voos (entre pousos e decolagens, determinando o mercado total nacional), as 211 empresas de ground handling do Brasil em 112 aeroportos e 20 aeroportos (critério de pousos e decolagens) para determinar o volume e o perfil dos serviços auxiliares prestados.



A entidade nasceu da necessidade de reunir forças e aspirações das empresas do setor, a fim de que busquem a representatividade do segmento junto ao Poder Público e à iniciativa privada. O objetivo é fomentar a elevação da qualidade dos serviços prestados e viabilizar o crescimento do transporte aéreo no Brasil.


A entidade reúne oito empresas do setor (Orbital, ProAir, RM, Swissport, Vit Solo, InSolo, RP AATA e TriStar) que, juntas, detêm 85% do mercado de ground handling.


MERCADO





Foram analisados os serviços auxiliares de transporte aéreo e sua participação na América Latina divididos em tipos de prestadores de serviços. As empresas de serviços auxiliares de transporte aéreo (ESATAs) apresentaram 60% de participação, enquanto operadores aéreos apresentaram 30% e operadores aeroportuários 10%. As ESATAs estão presentes nas operações da aviação comercial seja na realização de serviços operacionais (abastecimento de água, catering, carregamento de bagagem, entre outros), seja em serviços de proteção, emergência ou comerciais.


O anuário revelou também que sete em cada 10 pousos ou decolagens dos aeroportos do Brasil contam com a interferência de uma empresa de ground handling.



Do faturamento do mercado, de R$ 3,12 bilhões em 2013, as ESATAs participaram com 30% (935 milhões). “O restante do faturamento fica, podemos dizer, arredondando os números, 80% com as companhias aéreas e 20% com operadores aeroportuários”, disse o economista e coordenador da produção do anuário, Felix Sanz Yéboles.


“Esta é uma indicação clara de que existe espaço para que mais serviços auxiliares sejam transferidos para empresas especializadas. Apesar de 60% dos pousos e decolagens terem envolvimento das ESATAs, o serviço de maior valor agregado ainda está nas mãos das companhias aéreas. As aéreas têm seus custos, mas as ESATAs são mais competitivas do que as empresas comerciais. No Brasil temos mais facilidade de mão-de-obra, por isso é mais um motivo para terceirizar. Grandes companhias de outros países estão fazendo suas mudanças, pois já viram que o preço cai, podendo até interferir nos preços de passagens para o consumidor”, apontou Miguel. “Dos 935 milhões que as ESATAs tiveram de participação, poderia ser o dobro e ainda impactar em economia para as companhias, já que os serviços auxiliares, hoje, representam cerca de 9% dos custos operacionais das empresas aéreas brasileiras”, completou.



O executivo também considerou que, das quatro grandes empresas aéreas do País, somente a TAM internaliza seus serviços auxiliares de transporte aéreo. “A TAM internaliza 90% de seu serviço. Apenas em algumas áreas, como Aracaju, Sergipe, terceiriza”, afirmou.



As ESATAs


As 211 empresas de ground handling do País estão concentradas, em sua maioria, em São Paulo (70), Minas Gerais (45), Rio de Janeiro (36) e Rio Grande do Sul (31) e são distribuídas em 23 categorias de serviços. Embora a maior parte (147) tenha foco na prestação de serviços operacionais para as companhias aéreas, muitas estão envolvidas com outros serviços, como atendimento de aeronaves (60), limpeza de aeronaves (50), movimentação de carga (50), atendimento e embarque de passageiros (38), entre outros.





Somente com os serviços operacionais, o setor movimentou no ano passado R$ 1,91 bilhão. Já os serviços de proteção geraram receita de R$ 650 milhões, enquanto os comerciais geraram R$ 470 milhões e os de emergência R$ 90 milhões. Das ESATAs em operação no Brasil, 147 prestam serviços operacionais (a maior parte faz atendimento de aeronaves), 86 empresas atuam com serviços comerciais (72% são serviços de agenciamento de carga e 28% englobam serviços para a facilitação da aviação civil) e 6 prestam serviços de emergência.





 
“Assim, a proposta do anuário é dar visibilidade a um setor que é tão importante para a aviação, gera tantos empregos e ainda é tão pouco conhecido”, enfatizou o executivo.

O estudo elaborado para a produção do anuário revelou, ainda, que o setor investiu um montante de R$ 82 milhões em máquinas e equipamentos de apoio no solo em 2013. Para que as ESATAs possam crescer, alguns fatores primordiais, na visão do presidente da entidade, são: aumento do número de operações, aumento do número de passageiros, aumento da terceirização dos serviços especializados por parte das companhias aéreas e dos operadores aeroportuários, expansão geográfica para novos mercados e desenvolvimento de novos serviços.

Fonte: BRASILTURIS

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