Um aeroporto em silêncio


Apesar de ter sido inaugurado no dia 4 de agosto de 2012, o Aeroporto Dragão do Mar, em Aracati (Litoral Leste, a 148,3 quilômetros de Fortaleza), tem a sala de embarque, projetada para 180 a 200 passageiros, vazia. A esteira de bagagens ainda não precisou ser ligada. A praça de alimentação permanece inativa. Também os balcões para check-in estão desocupados, assim como os lugares reservados a empresas aéreas e de turismo.

A estrutura, que teve cerca de R$ 23,7 milhões em investimentos iniciais, recursos do Ministério do Turismo e do Tesouro do Estado, está abandonada: apenas aeronaves executivas usam o aeroporto que tem capacidade para aviões comerciais, como Boeing 737 e Airbus A319. A média de voos tem se mantido a mesma desde a inauguração do aeroporto: 35 voos por mês. “São, basicamente, voos de negócios e alguns turistas”, aponta o gerente administrativo do Dragão do Mar, Tomás Oliveira.

A expectativa, à época da inauguração, contava com 1.200 voos por ano, mas há dias em que não se vê avião na pista de 1.800 metros de comprimento. A movimentação é maior nos fins de semana, completa Oliveira, e boa parte dos que desembarcam ou embarcam no aeroporto de Aracati são empresários de Mossoró, município distante cerca de uma hora da região: “Há muitos empresários de Mossoró que utilizam o aeroporto durante a noite, porque o de Mossoró não opera no período noturno. Ele (Dragão do Mar, aberto 24 horas) está dando suporte ao aeroporto de Mossoró na operação noturna”.

Homologação

Para Tomás Oliveira, o aeroporto de Aracati “vai alavancar quando tiver a homologação para voos maiores”, solicitada à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) desde 2012. O gerente administrativo informa ainda que o balizamento no pátio de aeronaves, requerido pela Anac, foi realizado em novembro de 2013, mas a homologação ainda não se efetivou.

“O aeroporto de Aracati está aberto ao tráfego aéreo, mas para receber voos regulares é preciso adequar a infraestrutura aeroportuária ao pedido da companhia, pois temos que avaliar o tipo da aeronave, a frequência dos voos, entre outras características”, esclarece, por email, a assessoria de comunicação da Anac. “Até o momento, não houve interesse da aviação comercial para que possamos realizar essa análise”, contrapõe.

A Anac ressalta que “a escolha e o interesse comercial em operar no aeroporto, bem como a escolha das rotas e horários, parte das empresas aéreas”. A partir dessa escolha e interesse, a Agência analisa a capacidade de pista, de pátio e do terminal do aeroporto e concede uma homologação válida por dez anos (podendo ser renovada por outra década). No caso do Aeroporto Dragão do Mar, em Aracati, até a data de fechamento desta matéria, “nenhuma companhia manifestou interesse em operar no aeroporto mencionado”, reforça a Anac.


Fonte: O povo

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