CRUZEX 2013 - Prontos para o combate

 

Noventa aeronaves e mais de 2.000 militares de nove países. É este o cartão de visita da CRUZEX Flight 2013, o maior exercício de guerra aérea da América Latina, programado para acontecer de4 a15 de novembro no Nordeste brasileiro. As Bases Aéreas de Natal (RN) e do Recife (PE) vão receber aviões e helicópteros para missões que envolvem desde o combate aéreo entre caças até o salto de paraquedistas de forças especiais, uma das novidades deste ano.


Pela primeira vez desde 2002, a CRUZEX vai se focar unicamente na atividade aérea e neste ano também contará com a participação recorde de nove países. Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Equador, Uruguai e Venezuela, além do Brasil, vão levar para o Nordeste caças supersônicos como os F-16, F-5 e F-2000, aeronaves de grande porte, como o C-130 Hércules e o KC-767, helicópteros, dentre eles o AH-2 Sabre, um dos estreantes desta edição.

Mais que uma mostra da perícia de pilotos e tecnologia das aeronaves, a CRUZEX é um grande treinamento sobre como atuar em coalizão, a situação cada vez mais vista nos conflitos modernos em que diversos países atuam juntosem um Teatrode Operações. A consequência mais visível é o predomínio da língua inglesa em praticamente tudo, mas as diferenças também envolvem a forma de planejar e executar as missões. Um dos desafios é atuar com dezenas de aeronaves ao mesmo tempo, nos chamados “pacotes” de missão. Um piloto de um país também precisa estar apto a receber combustível de uma aeronave de reabastecimento de outro. E quem está no Comando precisa ter total domínio da situação para evitar o “fogo amigo”.

É o que explica o Exercise Director, Brigadeiro Jordão, da Força Aérea Brasileira. Ele conta que, seja em uma missão de Air Superiority, quando caças podem atingir velocidade supersônicas em combates que se desenrolam em centenas de quilômetros do espaço aéreo, até um Combat Search and Rescue (C-SAR), situação em que helicópteros voam baixo para resgatar um piloto amigo em território hostil, o padrão adotado durante a CRUZEX é o da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN.

Dois dos participantes deste ano são da Organização, o Canadá e os Estados Unidos, e têm a experiência real de conflitos como as guerras no Afeganistão e no Iraque. Mas isso não quer dizer que a CRUZEX seja só uma aula desses países para os representantes da América do Sul. "Se por um lado eles não têm a experiência, eles têm um valor que é primordial nessa parte de interação, que são as idéias. As pessoas são capazes em todas as áreas do planeta. Muitas vezes a melhor ideia vem da pessoa que você menos espera", explica o diretor do exercício.

Apesar da decolagem de dezenas de aeronaves juntas roubar a cena, o Brigadeiro Jordão lembra que a interação entre os países é o mais importante. "Você tem um momento de uma ou duas horas na missão e as outras 22 horas do dia para conversar, para trocar informação. E é nessa hora que a gente aprende. Além disso, teremos ciclos de conversas, aulas setorizadas, para cada tipo de atividade. Com isso, a Força Aérea Brasileira agrega bastante. E não só a brasileira, porque eles também estão interessados no que nós estamos realizando", diz.

Acertou ou não?
Para a CRUZEX Flight 2013, uma das novidades é um pequeno aparelho que pode ser levado até no bolso dos pilotos. Com o uso de GPS, pela primeira vez haverá o que a direção do exercício chama de "shot validation". Como em um exercício o lançamento dos mísseis só ocorre de forma simulada, no passado era difícil ter a certeza de "quem acertou quem". Boa parte era definida “no grito”. "A Força Aérea já passou da fase 'cachecol no pescoço', de Barão Vermelho", diz o Brigadeiro Jordão. Agora, será possível baixar todos os dados obtidos pelas aeronaves para saber, detalhadamente, o que aconteceu lá em cima. Para o diretor da CRUZEX, mais que motivar os pilotos, a shot validation é bastante útil para os debriefings, pois o nível do aprendizado sobe.

No Recife, controladores de tráfego aéreo do Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III) vão monitorar os movimentos das aeronaves e ali, ao vivo, poderão validar os disparos virtuais. Em seguida, já no solo, os pilotos que participaram de uma mesma missão vão se reunir para uma segunda validação. Em uma sala reservada, serão discutidos todos os combates e como aconteceu cada uma das “vitórias”. “Será talvez um dos momentos mais interessantes dessa CRUZEX”, diz o Brigadeiro Jordão. Segundo ele, é neste momento que os pilotos poderão aprender muito, entendo quais são suas vulnerabilidades e pontos fortes.

Top Gun dá lugar à tecnologia

Se no imaginário popular a CRUZEX é o momento dos pilotos de combate mostrarem o seu talento com manobras radicais em combates a curta distância, como fez Tom Cruise no filme Top Gun - Ases Indomáveis, a realidade já é bem diferente do sucesso dos anos 80. Permanece o espírito guerreiro e o alto desempenho dos caças, mas a maior parte dos combates hoje acontece na arena BVR, do inglês Beyond Visual Range, além do alcance visual. Isso significa que muitos antes de ver a outra aeronave, os pilotos já se enfrentam em um combate que envolve radares, mísseis de alta tecnologia e técnicas bastante diferentes das simuladas pelo astro de Hollywood.

Nesta guerra aérea do século XXI, os caças atuam em rede por meio do datalink, que transforma esquadrilhas em uma verdadeira rede de computadores. Um F-5EM da Força Aérea Brasileira, por exemplo, pode receber informações de outro sem a necessidade do piloto usar o rádio. Já uma aeronave de ataque A-29, é capaz de compartilhar dados detalhados sobre um alvo para outra aeronave. A CRUZEX acaba sendo um teste geral para estas tecnologias, que modificam doutrinas e treinamentos.

Muito disso é resultado dos projetos de reequipamento e modernização. O Brasil ainda aguarda a decisão sobre o seu novo avião de caça, mas desde a primeira CRUZEX, em 2002, muita coisa mudou. Os Mirage III, Xavante e F-5E saíram de cena e deram lugar aos Mirage 2000, Super Tucano e F-5 modernizados, além dos aviões-radar E-99, que apesar de não levar armamentos tem papel de destaque em exercícios deste tipo. E os pilotos do caça de ataque A-1, apesar deste ano ainda participarem com sua versão antiga, já treinam pensando em como vão aplicar essas novidades na versão modernizada, cuja primeira unidade já foi recebida pela FAB, em setembro. 
 
 
Fonte: FAB 

NOTA: A Revista Aero Latina acompanhará toda a movimentação da Operação CRUZEX, compartilhando matérias disponíveis no site da operação, maiores detalhes no site: www.cruzex.aer.mil.br

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