"Torpedos" agilizam comunicação entre pilotos e controladores de voo





As companhias aéreas estão finalmente começando a se comunicar da mesma forma que todo mundo faz: através de mensagens de texto. Embora a ideia de pilotos e controladores de tráfego aéreo trocando torpedos em pleno voo soe como motivo de apreensão para os passageiros, especialistas na tecnologia garantem que não há motivo para pânico.

Controladores e pilotos não estão usando seus celulares para enviar as mensagens — ainda que muitos passageiros já usem, sim, aplicativos de celular e redes wi-fi durante os voos. Os pilotos usam, em vez disso, modernos sistemas de bordo que se conectam digitalmente a novos sistemas de controle de tráfego aéreo. Em vez de depender da às vezes difícil comunicação via rádio, pilotos e controladores simplesmente usam mensagens de texto para mudar rotas e altitudes e transmitir dados de um controlador a outro.

O sistema tem sido usado em voos internacionais há anos. O Canadá o adotou agora em seus voos domésticos e os controladores europeus o empregam em duas grandes regiões. Os Estados Unidos, porém, estão muito atrás.

Ao enviar mensagens de texto em vez de falar, os controladores têm mais tempo para processar os pedidos de companhias aéreas. Os pilotos às vezes solicitam atalhos ou rotas melhores baseados na mudança dos ventos. E à medida que os aviões consomem o combustível e vão ficando mais leves, os pilotos querem subir a altitudes mais elevadas para diminuir a turbulência, aumentar a velocidade e economizar combustível. Às vezes, estas solicitações não são atendidas simplesmente porque os controladores não têm tempo de coordenar a nova altitude e designações de rotas com seus colegas. A comunicação por rádio, de fato, pode ficar congestionada.

Se enviar mensagens de texto durante voos parecer assustador, relaxe. Não é a mesma coisa que um motorista mandar torpedos enquanto dirige, pois o avião tem dois pilotos — enquanto um pilota, o outro se comunica. E pilotar um avião consiste em grande parte em apertar botões e ler instrumentos de voo.


Controladores de tráfego dizem que o maior benefício é a segurança — falhas de comunicação são a maior fonte de erros de controles de tráfego. Durante transmissões de rádio de longa distância, os números e as instruções podem facilmente ser mal interpretados. Às vezes, os pilotos estão ocupados e acabam perdendo chamadas de rádio para seus aviões. Às vezes também, as instruções de rádio são repetidas com erros e têm que ser confirmadas pelo controlador e retransmitidas ao piloto. E há ainda as ocasiões em que as transmissões são prejudicadas porque duas pessoas tentam falar ao mesmo tempo no rádio.


Controladores dizem que podem frequentemente ter que fazer duas ou três tentativas para passar instruções simples à tripulação de um voo, principalmente se o inglês, a língua universal do controle de tráfego aéreo, não for o idioma nativo do piloto.

"Se você pega um monte de acidentes e incidentes, você vê vários eventos. Esta é uma oportunidade de eliminar um deles. Você está eliminando uma potencial fonte de erro," disse Sid Koslow, diretor de tecnologia da Nav Canadá, controladora de tráfego aéreo do Canadá, que foi privatizada.


Espera-se que o novo sistema aumente a capacidade e reduza os atrasos, dizem pessoas do setor. Os aviões muitas vezes têm que aguardar para decolar para que controladores não fiquem sobrecarregados com muitas decolagens ao mesmo tempo. A Eurocontrol, agência que coordena e planeja o controle de tráfego aéreo na Europa, afirma que quando 50% de todos os voos no continente estiverem equipados para se comunicar com mensagens de texto, os controladores poderão lidar com um número de voos 8% maior porque o trabalho deles será reduzido em 16%. Quando 75% dos aviões tiverem este equipamento, uma quantidade 11% maior de aviões poderá voar simultaneamente porque a carga de trabalho dos controladores diminuirá em 22%.

A comunicação de dados direta entre controladores e pilotos é um aspecto importante da modernização das viagens aéreas. É também uma melhoria que os EUA vêm tentando implementar por mais de dez anos sem sucesso. Controladores dos EUA e Europa usam mensagens de texto em seus voos sobre os oceanos — fora do alcance regular dos rádios. Mas sobre a terra, justamente onde o céu e as frequências estão muito mais congestionados e onde há mais necessidade de se melhorar a comunicação, o progresso tem sido bastante lento.

Comunicações de dados entre controladores e pilotos nos EUA já existiam em 2002. A American Airlines equipou vários aviões que realizaram testes com o centro de controle de tráfego da FAA (a agência reguladora da aviação nos EUA) em Miami, mas o programa foi cancelado em 2004. (Um relatório da FAA daquele ano citou aumento de custos e atrasos no cronograma.)

O Canadá dá uma mostra do futuro para os seus vizinhos americanos. Lá, os pilotos trocam mensagens de texto com os controladores tanto sobre o oceano como sobre a terra. Companhias aéreas dos EUA que usam frequentemente o espaço aéreo canadense para viagens de ida de volta à Europa e à Ásia estão empregando a tecnologia de mensagens de texto.

"Nós amamos a tecnologia. É rápida e precisa — as mesmas razões pelas quais as pessoas comuns gostam de enviar torpedos nos seus telefones", disse o comandante Joseph Burns, diretor de padrões e tecnologia de voos da United Airlines, cuja maior parte da frota de aviões de grande porte é equipada para mensagens de texto. "Ela faz o mundo parecer um pouco menor."



Fonte: SAESP

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