Yuri Gagárin - 52 Anos do 1º homem no espaço





Em 12 de abril de 1961, o soviético Yuri Alekseievitch Gagárin (1934-1968), foi o primeiro homem a viajar pelo espaço, a bordo da nave Vostok-1. A missão, lançada no Centro de Lançamento de Baikonur, durou 1 hora e 48 minutos, e consistiu de uma volta na órbita da Terra a 315 km de altitude. A frase de Gagárin: “A Terra é azul!” entrou para a história.

História de Gagárin


Yuri Gagárin nasceu numa fazenda na localidade de Kluchino, distrito de Gjatski (mais tarde batizada de Gagárin, em sua homenagem), a oeste de Moscou, Rússia, parte da então União Soviética. Seus pais, Aleksei Ivanovitch Gagárin e Anna Timofeievna Gagarina, foi o terceiro de quatro filhos e sua irmã mais velha ajudou a criá-lo, enquanto seus pais trabalhavam. Como milhões de pessoas na União Soviética, a família Gagárin sofreu durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial. Quando jovem, passou a interessar-se pelo espaço e planetas, e começou a sonhar com sua turnê pelo espaço que um dia se tornaria realidade. Gagárin foi descrito por seu professor em Liubertsi, cidade-satélite de Moscou, como inteligente e trabalhador, e por vezes malicioso. Seu professor de matemática e ciência tinha servido na Força Aérea Soviética durante a Segunda Guerra Mundial, o que provavelmente influenciou o jovem Gagárin.

Após iniciar um curso de moldador em uma escola profissionalizante e de iniciar um estágio em uma metalúrgica como fundidor, Gagárin foi selecionado para o ensino secundário técnico em Saratov. Enquanto isso, ele se juntou ao "Aero Clube", e aprendeu a pilotar um avião leve, um passatempo que assumiria uma proporção crescente de seu tempo. Em 1955, após concluir a sua formação técnica, ele entrou para treinamento de voo militar na Escola de Pilotos de Orenburg. Lá, ele conheceu Valentina Ivanovna Goryacheva, com quem se casou em 1957, após ganhar suas asas de piloto. Depois de formado, foi enviado à base aérea de Luostari em Oblast de Murmansk, perto da fronteira norueguesa, onde o tempo terrível tornava os voos arriscados. Ele se tornou tenente da Força Aérea Soviética em 5 de novembro de 1957 e em 6 de novembro de 1959 recebeu a patente de tenente sênior.


Programa Espacial Soviético

Ficheiro:Vostokpanel.JPG

Em 1960, Gagárin foi um dos 20 pilotos selecionados, após difíceis processos de seleção física e psicológica, para o programa espacial soviético e acabou por ser escolhido para ser o primeiro homem a ir ao espaço. Devido sua excelente performance nos treinos, sua origem camponesa – que contava pontos no sistema comunista - sua personalidade magnética e esfuziante e principalmente devido às suas características físicas - já que a nave programada para a viagem pioneira em órbita, a espaçonave Vostok (que em russo significa "Oriente"), tinha um espaço mínimo para o piloto.

Minutos antes do embarque na nave Vostok 1, Gagárin disse o seguinte:

“- Queridos amigos, conhecidos e estranhos, meus conterrâneos queridos e toda a humanidade, em poucos minutos, possivelmente uma nave espacial irá me levar para o espaço sideral.”

“- O que posso dizer-lhe sobre estes últimos minutos? Toda a minha vida parece-me neste momento único e belo. Tudo que eu fiz e vivi foi para isso!"

Primeiro homem no espaço
"A Terra é azul. Como é maravilhosa. Ela é incrível!
"

Ficheiro:Vostok1 descent module.jpg
Com apenas 27 anos, Yuri Gagárin tornou-se o primeiro ser humano a ir ao espaço, a bordo da nave Vostok 1, na qual deu uma volta completa em órbita ao redor do planeta. Esteve em órbita durante 108 minutos, a uma altura de 315 km, num voo totalmente automatizado, com uma velocidade aproximada de 28 000 km/h. Pela proeza, recebeu a medalha da Ordem de Lenin.

A Viagem


“A espaçonave entrou em órbita, e o foguete se separou, a gravidade se foi”.

“No início, a sensação era de algo incomum, mas eu logo me adaptei, ... Eu mantive contato com a Terra em diferentes canais por telefone e telégrafo.”


Às nove horas e sete minutos da manhã (horário de Moscou) do dia 12 de Abril de 1961, a cápsula com o foguete “Soyuz-R-7” foi lançada de uma plataforma em Baikonur, no Cazaquistão. Neste voo ele disse a famosa frase: “A Terra é azul”.


A volta


Os cientistas russos calcularam erradamente (por duas vezes) a trajetória de pouso da cápsula, (como pode ser percebido na imagem que mostra a órbita da espaçonave). Este erro fez com que a cápsula espacial de Gagárin aterrissasse no Cazaquistão, a mais de 320 quilômetros do local inicialmente previsto (que era o local de decolagem). Isto fez com que no momento da aterrissagem não estivesse ninguém à sua espera. 


Os soviéticos declararam que Gagárin aterrou no interior da cápsula espacial, quando na realidade o astronauta utilizou-se de um pára-quedas na sua aterragem. A União Soviética negou esse fato por anos, com medo de o voo não ser reconhecido pelas entidades internacionais, já que o piloto não acompanhou a espaçonave até o final.

Promovido de tenente a major enquanto ainda estava em órbita, foi com esta patente que a Agência Tass soviética anunciou este espetacular feito ao mundo, que assim tomava conhecimento de que entrava numa nova era, a Era Espacial, a partir daquele momento.

Após o feito, Gagárin tornou-se instantaneamente uma celebridade soviética e mundial e passou a viajar pelo mundo promovendo a tecnologia espacial do seu país, sendo recebido como herói por reis, rainhas, presidentes e multidões por onde passava.


Morte e Legado
“Eu poderia voar pelo espaço para sempre!” 


Após ser desligado do programa espacial, Gagárin fora transferido para um centro de testes de aeronaves. Em 27 de março de 1968, durante um voo de treino de rotina em um caça MIG-15 sobre Kirzhach, ele e o instrutor de voo Vladimir Seryogin morreram na queda do jato, num acidente nunca devidamente explicado.
Um inquérito de 1986 sugeria que a turbulência de um avião interceptador Sukhoi Su-11 pode ter feito o avião de Gagárin sair do controle. Gagárin e Seryogin receberam honras de Estado e foram enterrados na muralha do Kremlin.
Documentos secretos russos tornados públicos em março de 2003 mostraram que a KGB tinha conduzido sua própria investigação do acidente, além de uma investigação governamental e de dois inquéritos militares. O relatório da KGB desmente várias teorias da conspiração, indicando que as ações do pessoal da base aérea contribuíram para o acidente. O relatório afirma que um controlador de tráfego aéreo forneceu a Gagárin informações desatualizadas sobre o tempo, e que no momento de seu voo, as condições se deterioraram significativamente. A equipe de terra deixou também tanques de combustível externo ligados à aeronave. As atividades planejadas para o voo de Gagárin necessitavam tempo claro e nenhum tanque de extra de combustível. O inquérito concluiu que a aeronave de Gagárin entrou em um parafuso, ou devido a uma colisão de pássaro ou por causa de um movimento repentino para evitar outra aeronave. Por causa do boletim meteorológico desatualizado, a tripulação acreditava que sua altitude tinha que ser maior do que realmente era, e não puderam reagir adequadamente para trazer o MIG-15 para fora.



Causa revelada

Em abril de 2011, entretanto, 50 anos após e em meio às comemorações na Rússia do histórico voo de Gagárin, as autoridades trouxeram a público os documentos classificados como “segredo de Estado” da época. Em entrevista à imprensa, o chefe dos arquivos do Kremlin, Alekandr Stepanov, colocou um ponto final nas especulações e teorias sobre a morte do herói nacional russo, lendo o seguinte comunicado, extraído de um dos documentos até então secretos:

“Conclusões da comissão: segundo as análises das circunstâncias do acidente aéreo e os elementos da enquete, a causa mais provável da catástrofe seja uma manobra brusca (do piloto) para evitar uma sonda atmosférica.”

De acordo com o documento até então desconhecido, a brusca manobra feita por Gagárin a bordo do jato para desviar do que seria uma sonda, fez com que a aeronave ficasse em condições críticas de estabilidade e caísse.

Homenagem 

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Elevado ao título oficial de Herói da União Soviética, o centro de treinamento de cosmonautas no Cosmódromo de Baikonur, Cazaquistão, leva hoje o seu nome. A cidade próxima à aldeia natal de Gagárin em 1968, após morte do cosmonauta, foi rebatizada na sua honra.

Em dezembro de 1993, a galeria Sotheby's, em Nova York, leiloou um grande lote de peças dos tempos gloriosos do programa espacial soviético. O uniforme usado por Gagárin foi arrematado por U$112.500 dólares.



Prêmios e Honrarias

Gagárin foi condecorado com as mais altas honrarias da União Soviética (título de Herói da União Soviética, e a Medalha da Ordem de Lenin). Em 1966, ele foi nomeado membro honorário da Academia Internacional de Astronáutica. Símbolo do triunfo de uma ideologia, ele foi condecorado em inúmeros países do chamado Terceiro Mundo, como uma forma de aproximação à ideologia Russa (como no Brasil, onde recebeu a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul pelo então presidente Jânio Quadros).


 


Fonte: Wikipédia

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