F-X2: Caças ficam adiados por tempo indeterminado

A pedido da presidente eleita Dilma Rousseff, a compra de 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB foi adiada indefinidamente. “Eu poderia assinar e fazer um acordo com a França, mas não vou fazer”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista à TV Brasil. Mas ele se rendeu aos argumentos de que se trata de uma dívida grande – o negócio pode chegar até US$ 15 bilhões -, de longo prazo e que o momento fiscal brasileiro não é o mais apropriado. O governo, também por influência de Dilma, já havia antes adiado o lançamento do edital de licitação do trem-bala Rio-São Paulo.
A rigor, a decisão a ser tomada é sobre com qual empresa o Brasil vai abrir negociação, que deve demorar um ano e tratar de coisas como preço e financiamento. É mais de meio caminho andado, mas é sempre possível romper a negociação. Lula já esteve mais empenhado na compra do caça Rafale, fabricado pela empresa francesa Dassault. Esta era a opção do presidente e do Ministério da Defesa, há um ano, quando ele anunciou a compra do avião francês sem que a FAB houvesse concluído seu parecer técnico.
A partir daí o Rafale passou a sofrer o bombardeio da concorrência – era o mais caro e também dispunha de componentes norte-americanos, o que impediria a França de de cumprir a promessa de transferência total de tecnologia. Os concorrentes, basicamente a empresa sueca Saab, fabricante do Gripen, e a americana Boeing, fabricante do F-18 Super Hornet, também melhoraram suas ofertas.
O fato é que Lula estava disposto a tomar uma “decisão política”, dentro de uma parceria estratégica de longo prazo com a França. Os franceses estão construindo o submarino nuclear em conjunto com a Marinha brasileira e vão fornecer 50 helicópteros para o Exército, Marinha e Aeronáutica.
Além disso, o presidente contava com o apoio da França no esforço diplomático para conseguir uma cadeira permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU e cobertura para a aproximação brasileira em relação ao Irã. Não obteve nem coisa nem outra, mas o que o impediu de decidir há mais tempo a compra dos Rafale foi a firme oposição da FAB ao negócio.
Desde o governo Fernando Henrique Cardoso a FAB tenta renovar sua frota, mas a decisão vem sofrendo sucessivos adiamentos. Os brigadeiros encontraram em Lula um presidente disposto a reaparelhar a Força Aérea – o número de caças a serem comprados pode chegar a 120, depois do lote inicial de 36 aviões -, mas a oposição da FAB levou a novo adiamento de uma decisão que poderia ter saído no fim de 2009.
Nos últimos dias, os brigadeiros já aceitavam a compra do Rafale. O que eles queriam era um caça, pois temem que Dilma se desinteresse pelo projeto de renovação da frota, que está no limite. O Ministério da Defesa diz que não há nada que justifique o temor da FAB. Aliás, Dilma e Lula podem voltar a conversar sobre o assunto ainda neste ano, embora uma decisão seja improvável, porque só agora a presidente eleita tomou conhecimento detalhado da concorrência. A situação também mudou em algumas frentes.
Em primeiro lugar há o problema fiscal, que Dilma tem revelado disposição de atacar. Além disso, Lula parece decepcionado com os parceiros franceses na diplomacia.
Fonte: Valor Econômico – Raymundo Costa - Via Cavok

Palavra do Redator: É meus amigos mais uma vez a FAB vira motivo de descaso da politica, tenho duvidas se Dilma será boa governante, antigamente o sonho dos antigos cadetes era ser piloto de caça, hoje eles preferem ir para outras áreas, pois a ponta da lança da FAB esta enferrujada! FX-2 "In-Memorian"

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